sábado, 22 de fevereiro de 2014

O Monte dos Vendavais

O filme de 2011 de Andrea Arnold representa um olhar diferente sobre a obra original, deixando de fora praticamente metade da história (nunca chegamos a ver alguns dos grandes feitos de vingança do Heathcliff, à excepção do seu casamento com a Isabella) mas não merece menos respeito por isso. A fotografia é encantadora, tirando proveito de cada característica singular da Natureza e a Kaya Scodelario é simplesmente lindíssima. O melhor: o vento. Um personagem que fala tão alto como qualquer outro. 

Quanto à história, através dos olhos de Arnold ou das palavras de Brontë, é como um punhal espetado no coração que a cada momento torce um pouco mais. Um amor violento que vive para além da morte, o que não deixa de ser interessante vindo de alguém que dificilmente terá experimentado a arte de amar.



domingo, 15 de dezembro de 2013

Jane Eyre


Eu gosto de ler e na prática, isso resume-se a períodos de leitura assídua seguidos por longos período de seca extrema. O que geralmente acontece é que me apaixono perdidamente por determinada história ou tema ou autor e exploro-o até à (minha) exaustão durante meia dúzia de livros semelhantes. Agora são os romances ingleses dos séculos XVIII e XIX, o que para já se traduziu em Jane Austen e Charlotte Brontë. Da primeira li aquela que é considerada a sua melhor obra, Orgulho e Preconceito e leio actualmente Sensibilidade e Bom Senso. Da segunda li Jane Eyre e é sobre esse que me debruço.

A verdade é que não esperava gostar da Jane Austen (estava até certa de que ia odiar o género) e dei de caras com um dos seus livros quase que por acaso. Comecei a ler, sem grande entusiasmo, e assim foi durante quase metade da história, até que o Mr. Darcy revela os seus verdadeiros sentimentos e eu não consegui mais pousar o livro. Nada do que imaginava, pensei. A protagonista é uma mulher conforme a época ditava, é certo, mas com opiniões e sem medo de as expressar e o personagem masculino não é nenhum protótipo de príncipe encantado. É sim um ser anti-social, rude, orgulhoso - yuck. E eles desprezam-se durante tanto tempo, só para depois percebemos que afinal ele sempre a amou e ela, quando finalmente deixa de lado todos os preconceitos que desenvolveu, erradamente, contra ele, retribui esse sentimento. Acho que o mais gosto aqui, para além da ausência de personalidades perfeitas, é o rumo inesperado que as coisas tomam. 

Foi com isto em mente que me dediquei ao Jane Eyre, convencida (não sei bem porquê) de que seria mais do mesmo. Mas não, oh não... A Elizabeth da Jane Austen tem opiniões? Pois bem, a Jane da Charlotte Brontë tem uma consciência e moral que quase a levam a morrer à fome e ao frio, uma profissão e independência.  Ora, toma lá. 

Jane Eyre apaixonou-me como há muito um livro não o fazia. Fez-me deixar de comer e de dormir a horas como só um grande livro é capaz de fazer e este meu amor por esta obra tornou-se tão compulsivo que temo não conseguir encontrar mais nada que se assemelhe, nem que só um bocadinho, ou que consiga concretizar a simples tarefa de me fazer esquecê-lo enquanto me dedico a outra história (tarefa ingrata a do Senso e Sensibilidade). Dou por mim nas horas vagas a vaguear na dura história de vida da Jane, no modo firme com que nunca contraria os seus valores e aquilo em que acredita, mesmo que o desejo e o impulso lhe peçam o contrário (era tão mais fácil esquecer o pequeno pormenor de o Mr. Rochester ser casado com uma louca que vive trancada num quarto e ter com ele uma história de amor intensa) e na forma como supera as adversidades contrariando todas as probabilidades. Como o Mr. Rochester e ela (por obrigação das circunstâncias, é certo) se tornam mais próximos e semelhantes, acabando mesmo o primeiro por se tornar dependente dela para o resto dos seus dias, deixando para trás o homem sempre superior, orgulhoso - que a ama, não há dúvida - mas que ao mesmo tempo lhe dá ordens e pretende torná-la num ser diferente daquele que o seu espírito dita. 

Claro que a Jane Austen é uma excelente autora e os seus livros serão para sempre clássicos da literatura, mas os mal entendidos e a questões ligadas à classe social que dramatizam as intrigas das suas obras vão acabar sempre empurrados para um cantinho bem escondido ao ler as irmãs Brontë porque fazê-lo (suspeito que será também assim com o Monte dos Vendavais da Emily) é como levar um murro no estômago, tamanha a brutalidade da vida e a violência dos seus problemas. E um murro bem forte.

- Afirmo-lhe que tenho de ir! - repliquei, sentindo a paixão apoderar-se de mim. - Julga que posso ficar e não significar nada para si? Julga que sou um autómato? Uma máquina sem sentimentos? E que posso suportar arrancarem-me o meu pedaço de pão dos dentes e entornarem-me a minha gota de água vital? Julga, lá porque sou pobre, obscura, vulgar e insignificante que não possuo alma nem coração? Tenho uma alma tão grande como a sua... e um coração tão ardente como o seu! E, se Deus me tivesse dotado com alguma beleza e uma grande fortuna, tornar-lhe-ia tão difícil deixar-me como me é agora difícil deixá-lo a si. Não lhe falo neste momento como é hábito ou convencional, ou  mesmo através do meu corpo. É o meu espírito que se dirige ao seu, exactamente como se tivéssemos já passado pelo túmulo e estivéssemos aos pés de Deus, iguais... Tal como somos!

domingo, 15 de setembro de 2013

Catfish, o filme


A primeira vez que vi um episódio do Catfish foi enquanto comia algo nos Armazéns do Chiado. Sempre que me sento ali é impossível não bisbilhotar o que passa em mute na MTV naquele momento. And thank goodness for subtitles! Já tinha visto frames do programa diversas vezes nas minhas muitas viagens de zapping televisivo mas por algum motivo (que não é exactamente desconhecido mas de seu nome "memória") sempre achei que deveria ser mais uma obra prima de trash tv deste canal (e hey, nada contra trash tv) como o Room Raiders, Boiling Points ou Punk'd - e acredito que para muitos que já viram o Catfish, ele se encaixe perfeitamente nesta categoria. 

Acontece que algures entre tentar ouvir o meu namorado na confusão que é o Chiado em plena hora de almoço e tentar devorar o McChicken que tinha nas mãos, os meus olhos caíram sobre aquela televisão calada. Uma rapariga falava com o apresentador acerca deste rapaz fantástico que era o amor da vida dela e com quem falava há bastante tempo por telefone e Facebook, sem nunca o ter visto pessoalmente. Hmm, fishy... Ora, resumindo 99% dos episódios deste programa, o Nev e o Max (que são os apresentadores/mensageiros da verdade) convencem o amor da vida desta rapariga a encontrar-se com ela e no final todos descobrimos que afinal o rapaz giro que é modelo e músico nas horas vagas é na verdade uma rapariga com excesso de peso que não gosta de si própria. Certamente todos nós já ouvimos histórias assim, alguns de nós até a viveram e a razão pela qual gostamos de ver isto (talvez não todos, eu pelo menos sim) é pelo voyeurismo que nos seduz até ao tutano ou a esperança cega de que talvez a história seja mesmo real ou a simples sede de sangue. 

Atraída por aquele pedaço de episódio, passei a ver este programa - não religiosamente, apenas quando, por acaso, o encontrava no ar - e apesar das histórias sempre muitos parecidas, acabei por me tornar fã. Foi então ao ver o genérico que ouvi o Nev dizer: 
Catfish the movie was my story. Catfish the TV show is yours. 
Wow. Quer dizer que ele passou por isto? Melhor, há um filme? Sim, chama-se Catfish (no surprise here) e é um documentário que o irmão do Nev e um amigo, ambos realizadores, fizeram sobre ele e uma rapariga chamada Megan, alguém com quem ele fala todos os dias por telemóvel e Facebook e por quem começa a desenvolver sentimentos e... dá para perceber onde isto vai chegar certo? Sim, não é muito diferente de qualquer episódio da série, mas o Nev é este rapaz espectacular por quem sentimos imediatamente afinidade e carinho, que só queremos que seja feliz e correspondido. É por isso que quando o novelo de mentiras se começa a desenrolar, a única coisa em que conseguimos pensar é Oh no she didn´t! e acho que é essa a parte em que a tal "sede de sangue" se começa a fazer sentir.

Mas o melhor de toda esta intriga reside mesmo na forma como o Nev lida com tudo. Desde o sentir-se frustrado e enganado, passando pelo continuar a alimentar toda aquela farsa e finalmente confrontar toda a verdade, não deixa de ser bastante nobre o modo como ouve e aceita a realidade. Talvez por empatia pela história de vida da pessoa que se esconde por trás do computador, que não é fácil (mas mesmo assim não justifica o que fez), ou simplesmente por depreender algum transtorno de personalidade naquela pessoa, não vemos cabeças rolar nem dedos apontados à cara de ninguém. Pessoalmente não sei se teria o sangue frio ou o coração (não sei bem qual dos dois actuou com mais convicção) para simplesmente ouvir e tentar perceber o porquê. 

Em algum momento da nossa vida já estivemos descontentes connosco próprios e a ideia de ser outro alguém - mais bonito, mais jovem, mais talentoso - se tornou atraente. Pode ser que resida aí, no resistir-se ou não a esse desejo, a diferença entre o normal e o anormal, o forte e o fraco, o corajoso e o cobarde. Por outro lado, viver uma história de amor impossível e platónica é algo que nos atrai a todos e, de certo modo, o Nev teve a oportunidade de viver isso. Porque em algum momento da nossa vida, também nós já quisemos viver uma fantasia, mesmo que não passasse disso mesmo. Às vezes só queremos ser enganados, desde que isso nos dê alguma felicidade imediata e nos tire da nossa pequena vida aborrecida. Como alguém diz no filme: 
They used to tank cod from Alaska all the way to China. They'd keep them in vats in the ship. By the time the codfish reached China, the flesh was mush and tasteless. So this guy came up with the idea that if you put these cods in these big vats, put some catfish in with them and the catfish will keep the cod agile. And there are those people who are catfish in life. And they keep you on your toes. They keep you guessing, they keep you thinking, they keep you fresh. And I thank god for the catfish because we would be droll, boring and dull if we didn't have somebody nipping at our fin.

domingo, 19 de maio de 2013

sexta-feira, 15 de março de 2013

Birthday goodies

Mango Touch bag / Chanel Joues Contraste Powder Blush (Frivole) / Bimba&Lola earings / Benefit Boi-ing Concealer / Kinfolk Volume Six